Nascimento do Fofão Maranhão
- Fofão Maranhão
- 26 de out.
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Atualizado: 3 de nov.

Nasci num sábado de carnaval. A Madre Deus fervia em dança e riso quando, lá embaixo, a adormecida Serpente se remexeu. O peso dos tambores – tum, tum, tram! – virou pesadelo. À beira de acordar, ela soltou uma grossa fumaça que correu pelas fendas da cidade, atravessando casarões e azulejos, até dar no Rio Bacanga. Assim que tocou a água e fez redemoinho, eu vim: num corpo de argila em rascunho, puxado do fundo da Ilha direto pra folia.
Entre os brincantes, a cada esbarrão, um retalho me tecia esse macacão; e cada folião pendurou em mim os guizos que tinha na mão. No rosto, a máscara de papel-machê pegou forma em cores vivas – feia como o pesadelo da Serpente que me pariu. Na mão esquerda agarrei a boneca que uma menina, assustada, me atirou; na direita, catei uma varinha de madeira para espantar os cachorros que latiam.
Misturado aos blocos, minhas pernas não se aquietaram; estavam no ritmo da dança e do batuque. Um político desatento esbarrou na boneca e, em tom de desculpas, me deu um trocado. Virou regra que não abro: quem ousa pegar na boneca já sabe – paga prenda; senão, aperreio sem parar.
Quando a noite da Terça de Carnaval chegou, a vizinhança, suada de dança e confete, com maisena e gritos, me deu batismo: Fofão do Maranhão. Com o tempo, pelo costume da terra, o “do” se gastou de tanto canto e corre-corre.
Desde então, enquanto meu bom Deus permitir, sigo assim, fazendo a alegria do Carnaval do nosso Maranhão véi!



Fofão no Carnaval em São Luís MA - Crédito: SETUR Maranhão